sexta-feira, 8 de agosto de 2025

As odaliscas em Sintra

 

Estou bem lembrada de quando pegaram nalgumas odaliscas (que nada mais eram antigamente senão escravas - o que para os adeptos do eterno feminino vinha mesmo a calhar) e as colocaram a dançar a dança do ventre em Sintra e isto para defender a honra e a História dos Templários medievais que traziam na cabeça e que tinham vindo diretamente do século XIII e assentado arraiais numa quintinha neo templária (e também na Regaleira) em jeito de resposta a determinados alertas relativamente ao Islão. Nas suas cabeças idiotas, o Islão era para "integrar" porque em Jerusalém templários e intelectuais muçulmanos tinham sido muito amigos há muitos séculos atrás. O modelo devia ser copiado nos dias de hoje, todos integrados uns nos outros e felizes e ai de quem anunciasse em voz alta o perigo islâmico. Estou bem lembrada de uma idiota chapada, pouco antes de fazer bullying à minha pessoa, ter colocado, na sua cara que já era desagradável e antipática, uma expressão de nojo comentando o Antigo Testamento. Isto numa casa de cultura. Nessa altura eu tinha dúvidas, mas esse bando de energúmenos, tinha certezas. Só que há dúvidas que surgem direitinhas da tradição (e as dúvidas são muito mais importantes do que as certezas) e podem funcionar como motor da sabedoria. Hoje, andam caladinhos que nem ratos e refugiam-se nas ervinhas medicinais. Um deles, teve a distinta lata de me dizer que eu não andava bem. Pois não. E como se viu o mundo piorou muito desde aí e, a pouco e pouco, se desvendam os intuitos fanáticos de bandos cheios de certezas. Nada mais do que bandos de ignorantes. Naturalmente, afastei-me de tal gente e fui recolhida por artistas que me revigoram e me lembraram (como não andava bem, andava esquecida) de que não tinha de prestar contas a ninguém, quanto muito ao céu que fica por cima de nós. Aos meus alertas, responderam com odaliscas mal amanhadas que tinham aprendido a dança do ventre numa qualquer espelunca dos subúrbios (o que é natural porque a mulher, serve para procriar e pouco mais em terras islâmicas sejam elas mais ou menos densamente povoadas por bandos de fanáticos). 

Sob a capa de Merlin, pagão, traziam outra, a de neo - templários, porque bem lá no fundo não passavam de acólitos e de produtos inconscientes de um catolicismo que se encontra decadente há séculos, mas cujos efeitos, vindos das profundezas da infância , não mais tinham deixado de existir: "uma vez soldado, para sempre soldado". Para o público mais íntimo, auto-intitulavam-se de gnóstiscos, uma espécie de betinhos de Cascais da Igreja Católica. Esta louca da casa começou a retirar-lhes as capas, uma a uma e deu-se conta, não sem choque, da total confusão. Hoje, os tempos são outros e é mais fácil ver a nitidez da linha do horizonte, isto para quem está interessado. Aqueles que já tinham tendência para a justiça, continuam a tê-la, os que não tinham, não se pronunciam a não ser para falar, quais "misses" Universo , de paz e amor isto quando sobem ao pódio (leia-se púlpito), numa época de total desnorte e altamente conflituosa. E continua a ser o que há. 

Sem comentários:

Enviar um comentário