terça-feira, 19 de agosto de 2025
domingo, 17 de agosto de 2025
Abandono
A ideia que dá, é que este país está ao abandono, nos incêndios e noutras matérias. Estamos abandonados.
sexta-feira, 8 de agosto de 2025
As odaliscas em Sintra
Estou bem lembrada de quando pegaram nalgumas odaliscas (que nada mais eram antigamente senão escravas - o que para os adeptos do eterno feminino vinha mesmo a calhar) e as colocaram a dançar a dança do ventre em Sintra e isto para defender a honra e a História dos Templários medievais que traziam na cabeça e que tinham vindo diretamente do século XIII e assentado arraiais numa quintinha neo templária (e também na Regaleira) em jeito de resposta a determinados alertas relativamente ao Islão. Nas suas cabeças idiotas, o Islão era para "integrar" porque em Jerusalém templários e intelectuais muçulmanos tinham sido muito amigos há muitos séculos atrás. O modelo devia ser copiado nos dias de hoje, todos integrados uns nos outros e felizes e ai de quem anunciasse em voz alta o perigo islâmico. Estou bem lembrada de uma idiota chapada, pouco antes de fazer bullying à minha pessoa, ter colocado, na sua cara que já era desagradável e antipática, uma expressão de nojo comentando o Antigo Testamento. Isto numa casa de cultura. Nessa altura eu tinha dúvidas, mas esse bando de energúmenos, tinha certezas. Só que há dúvidas que surgem direitinhas da tradição (e as dúvidas são muito mais importantes do que as certezas) e podem funcionar como motor da sabedoria. Hoje, andam caladinhos que nem ratos e refugiam-se nas ervinhas medicinais. Um deles, teve a distinta lata de me dizer que eu não andava bem. Pois não. E como se viu o mundo piorou muito desde aí e, a pouco e pouco, se desvendam os intuitos fanáticos de bandos cheios de certezas. Nada mais do que bandos de ignorantes. Naturalmente, afastei-me de tal gente e fui recolhida por artistas que me revigoram e me lembraram (como não andava bem, andava esquecida) de que não tinha de prestar contas a ninguém, quanto muito ao céu que fica por cima de nós. Aos meus alertas, responderam com odaliscas mal amanhadas que tinham aprendido a dança do ventre numa qualquer espelunca dos subúrbios (o que é natural porque a mulher, serve para procriar e pouco mais em terras islâmicas sejam elas mais ou menos densamente povoadas por bandos de fanáticos).
Sob a capa de Merlin, pagão, traziam outra, a de neo - templários, porque bem lá no fundo não passavam de acólitos e de produtos inconscientes de um catolicismo que se encontra decadente há séculos, mas cujos efeitos, vindos das profundezas da infância , não mais tinham deixado de existir: "uma vez soldado, para sempre soldado". Para o público mais íntimo, auto-intitulavam-se de gnóstiscos, uma espécie de betinhos de Cascais da Igreja Católica. Esta louca da casa começou a retirar-lhes as capas, uma a uma e deu-se conta, não sem choque, da total confusão. Hoje, os tempos são outros e é mais fácil ver a nitidez da linha do horizonte, isto para quem está interessado. Aqueles que já tinham tendência para a justiça, continuam a tê-la, os que não tinham, não se pronunciam a não ser para falar, quais "misses" Universo , de paz e amor isto quando sobem ao pódio (leia-se púlpito), numa época de total desnorte e altamente conflituosa. E continua a ser o que há.
sábado, 10 de maio de 2025
O voto em branco
Descobri que o voto em branco é o mais puro. E que as pessoas que lêem este blogue são estranhas porque o lêem de repente. Quando era pequena escrevia "derepente", assim tudo junto porque era de repente e não havia tempo para pausas. Mas dizia que as pessoas que aqui param são estranhas. É natural pois não as conheço. É muito raro dizer a alguém que tenho um blogue porque sei que bem lá no fundo não suportariam a liberdade do outro. Tinham logo que dizer "concordo", "não concordo", é bonito", "está mal escrito", "não percebi". Não digo nada para não ter de as ouvir depois. Prefiro o anonimato na leitura das palavras. As pessoas tornam-se anónimas das minhas palavras porque não as conhecem e as relações podem fluir naturalmente como se não tivesse escrito nada. Às vezes falam sobre um tema qualquer e quase que caio na armadilha quando dentro de mim digo "que engraçado, já escrevi sobre isto", mas a prudência da pomba, faz-me não dizer nada em voz alta, remeto-me para a expressão interessada de quem ouve e nada sabe dizer sobre o tema. Ultimamente tenho adoptado personalidade mais estúpida que alguma vez tive: não falo de nada interessante, nem profundo. Já sei que isto vai desembocar numa crise qualquer e que acabo por evocar um dos lemas do Carvalho Monteiro, onde, na parte de trás da medalha estava escrito: "sem ti, morro" e na parte da frente uma flor num vaso era iluminada por um sol. Espero não chorar, nesse dia. Mas penso que não. A maior virtude, penso que seja passar pelo espírito e regressar à terra. É a maior virtude porque para isso é necessária uma paciência de Jó. Este ano só tenho feito coisas que ofendem a minha essência e, como não a quero ver ofendida, crio personagens que fazem da vida uma coisa profundamente estúpida. Envolvo-me em atividades que não lembram ao diabo e são todas expectáveis e aceites socialmente. Mas a minha alma não está lá. Neste momento está escondida algures, a fazer meia, provavelmente. À minha espera, qual Penélope. Mas mantenho o sorriso e a compostura. Mas só me apetece desancar pessoas. Bater, mesmo. Mas como há um lado que ri, a alma fica quieta. Não vale a pena sermos profundos com ananases. Fica a beleza de reserva. "Que pintura linda!", dizem, sobretudo o povo. E ficam com a beleza que lhes foi reservada, o resto, fica com a alma calada, envolvida em mantos, quase como se estivesse morta. Um dia disseram-me: "Ela agora está sossegadinha, mas não se sabe quando volta ao mesmo". Claro, que não era um elogio. Era como se não me suportassem, nem morta. E é verdade, apetece-me desancar alguém. Talvez o país todo, talvez o mundo inteiro. Mas dá muito trabalho. É mais fácil criar personagens-moscas-mortas. É mais louvável, aplaudível, etc. Como a comida sem sal da cantina. Claro que já enjoei a comida saudável da cantina e dei por mim no restaurante a comer nacos de carne suculentos e a elogiar a cozinheira. Ninguém aguenta, nem merece. De maneira que quem lê este blogue tem de levar comigo, mas não conviver comigo pois se tal acontecer assiste ao paradoxo da mosca morta que é uma Fênix colorida quando lhe apetece. E ninguém aguenta, nem merece. A insatisfação está cá, trepa por mim acima e sinto os seus dedos a tocar no corpo todo. Coisa viva que é!
domingo, 20 de abril de 2025
Os homens de negócios
sábado, 19 de abril de 2025
A luz
Diz a História da China que quando o ambiente na cidade ficava caótico, os sábios subiam a montanha e lá no cimo se refugiavam. Nem é necessário ser sábio para ter a mesma reação nestes dias correntes, pois o "mundano" está tão confuso e impossível de se aguentar que basta ter uma inteligência razoável para o fazer. Discorrer sobre o estado do mundo ou escrever poesia é a mesmíssima coisa em termos de efeitos. Nunca pensei que iria viver num mundo distópico onde tudo espelha tudo. Isto parece uma espécie de prisão onde só o silêncio cortante guarda o oxigénio necessário para se viver. Nem sei o que dirão os historiadores do futuro, isto é, se existirem historiadores no futuro pois em breve será muito natural dar a História como extinta, como se esta fosse um animal que não se adaptou. Qualquer dia sai um decreto-lei a extingui-la por não servir para nada, nem dar lucro. Muito não se falará no futuro deste presente, até porque não há nada para dizer. O presente é uma espécie de droga psicadélica. Eu não preciso dessa droga. Agora a nova modalidade é estar com os olhos bem abertos na escuridão e ver as imagens psicadélicas a passar com as suas cores fosforescentes. Elas passam, e fico a vê-las como espectadora passiva. Não me assustam nem me distraiem, ficam para ali a passar e depois desaparecem. Igualzinho a este mundo. Mais berrante, mas igualmente alucinante . No futuro já sei que vou esquecer estes episódios psicadélicos que não faço ideia porque é que me acontecem. Chego a suspeitar que é apenas uma forma de sintonia com a contemporaneidade e nada mais. É que nem lições advêm dessas imagens, tal e qual o que se passa com o mundo.
Estou a escrever só porque tenho insónias. São duas e vinte e cinco da manhã e o vento resolveu levantar-se em rajadas. Elas levam-me a virar a cabeça para a janela e dou por mim a falar com o vento como se fosse uma pessoa: "O que é que queres?" E o vento responde: "Nada". Pois é natural, é só vento. Também o vento me diz que é apenas o espelho de um outro vento, que por sua vez espelha outro. O mais parecido com a época actual é um redemoinho. Não há lógica num redemoinho, nem tempo para o medir e torná-lo aceitável mentalmente. É um pedacinho de ar que se levanta e nos leva a dar voltas muito rápidas. É como ser enrolado por uma onda. Já fui enrolada por várias ondas e lembro-me da sensação estranha de não perceber onde era o alto e o baixo. A desorientação era total. Igualzinho aos tempos de hoje. Por isso, não me perguntem nada neste momento, estou em pleno redemoinho, enrolada numa onda. Não há nada para dizer, nem opinar, nem esperar sequer. Tornou-se tudo de plástico. De plástico plastificado, ou não fosse um espelho. As imagens psicadélicas são espelhos e nada mais. Vou aterrar no cimo da montanha e guardar o segredo da História. A História não serve para nada, nem dá lucro, mas é um segredo. Agora, mal escrevi a palavra História, começou a chover. Como dizia Pessoa, chove lá fora, mas cá dentro acendeu-se uma luz. Quem só vê o profano, não vê o sagrado. Esquece-se da luz.
sábado, 5 de abril de 2025
A voz
O Pedro mexia, de há umas semanas para cá, mudou de voz. Está mais grave. Não sei se fui só eu que notou essa alteração. Mudou o timbre. Literalmente. Se for também literariamente está possuído. Mistérios.
domingo, 9 de março de 2025
O primeiro ministro
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
O eterno presente
Estas fotos provindas da intimidade da matéria e publicadas em livros sobre a teoria do caos revelam a capacidade de variação dos temas como se estes fossem música. Entendemos que a música varie, que o artista varie, que o escritor varie, que o ator varie. Se a pessoa varia e não for só de penteado, já não entendemos nada. Isto porque não nos vemos como fazedores da obra de arte que somos. Falo por mim que não capto as almas como se fossem possíveis de fotografar. Se alguém varia muito fico estupefacta. Essa variação deve de ser demonstrada como as imagens da intimidade da matéria, passo a passo e com a maior racionalidade possível. Já quando as pessoas são atravessadas por espíritos e dizem coisas, então, a minha benevolência provinda do eterno presente, permite uma maior compreensão da variação. Tenho assistido, por vezes, ao atravessamento das pessoas e nunca sei se sou eu que as estou a atravessar ou se é outra entidade qualquer. Já me aconteceu uma coisa estranha que não é uma coisa nem outra. Entrei num café e a senhora que estava do outro lado do balcão olhou para mim branca e disse-me que se tinha visto a ela própria a entrar no café. Tinha tido a visão dela própria em mim. Disse-lhe que não éramos parecidas fisicamente e ri-me (ela era mais alta, mais anafada e tinha cabelos louros, coisa que não tenho) e ela continuava, branca, a olhar para mim e a dizer que se tinha visto em mim. Teve de ser outra senhora que estava atrás do balcão a acalma-la, dizendo-lhe que não estava boa da cabeça. Invisível, já me tinha sentido muitas vezes, mas um espelho, foi a primeira vez. Isto para dizer que até a questão da identidade pode ser um pouco difusa e confusa, Mas há-de haver algo em nós que pertence ao eterno presente e algo em nós que entre no reino do reconhecimento para lá da matéria que nos cerca. Até para lá da intimidade da matéria que nos cerca. E, de facto há. Por foi por isso que já encontrei quem pertencesse ao reino da liberdade. Do conhecimento e da liberdade. Das duas coisas. A ideia que me dá é que viemos doutro sítio. No meu caso, desse reino. E que é eterno e se mantém independentemente das variações, permitindo, no entanto as variações, mas estando acima delas. Tenho saudades desse reino mesmo sabendo que ele está em mim. E que bom que seria fazer descê-lo à terra, penso, por vezes. No entanto também intuo que há outros reinos, diferentes. Provavelmente, há pessoas que vieram deles, sem saber que deles vieram. Gosto do meu. É todo respirável, mas só conhecido por gente como nós.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2025
A iteligência emocional
Os músicos de música clássica parecem ser ainda dos poucos que conservam alguma coisa de clássico, de antigo. Todas as outras artes, até mesmo a ópera, com as novas cenografias de bradar aos céus, trazem incrustada esta contemporaneidade atroz. Dou por mim a respirar com esses músicos. Fiz um teste elaborado por psicólogos, esses génios da mente que explicam tudo, para ver se tinha alguma inteligência emocional. Tal como previa, não tenho quase nenhuma porque esse tipo de inteligência está catalogada como uma espécie de diálogo entre o sujeito e a sociedade. Diz essa teoria dessa inteligência que os testes podem revelar o auto-conhecimento e o grau de socialização que temos. Ao nível do auto-conhecimento nunca poderia ir muito longe nesse teste porque continuo a sentir-me um mistério. Um mistério mesmo divino porque isto de se existir, de se estar vivo, contém algo que nos ultrapassa. Continuo exactamente igual ao que era na adolescência, sempre num limiar angustiante de uma enorme imensidão que me chama e, em simultâneo me diz que essa imensidão é demasiado grande para mim. Basta olhar para as estrelas, coisa que nem o teste nem os teóricos da teoria da inteligência emocional fazem. Relativamente aos outros, à parte social, eles fazem parte desse mesmo mistério que não conheço e, quando conheço, fazem demasiado barulho e estragam a sinfonia das estrelas com os seus gritos, desesperos e alegrias, a maior parte delas ilusórias. Poder-se-á pensar que é falta de empatia. E é. Não consigo ter empatia por tudo. Consigo, por outro lado, ter impulsos, fortes e inexplicáveis, de ajudar quando vejo situações à minha frente que requerem ajuda e algum sangue frio. Mas aquela empatia que me leva a sorrir para a humanidade inteira com se esta fosse o recém-nascido mais puro e inocente do mundo, e acolher com abraços, paz e amor qualquer pessoa que se me apresente pela frente, não. Não sacrifico a minha inteligência à minha possível inteligência emocional. A inteligência emocional está hoje na moda e torna-se facilmente sinónimo de grandes massas que partilham os mesmo valores e ideias, quer à esquerda, quer à direita. Acredito profundamente que os extremistas tenham uma grande inteligência emocional por acreditarem que as suas ideias são a panaceia universal. Podemos dizer que o mundo está farto e cheio, neste momento, de inteligência emocional. O Ventura gosta da coelhinha, e os de extrema esquerda adoram tratar o ser humano como se fosse um animal de estimação que agita a cauda a cada defesa da minoria que cada um é. São todos mestres em inteligência emocional e vão cada vez mais dirigir o mundo pelas emoções, pelas ações e reações emotivas, mas sem um pingo de inteligência dita normal. O sentimentalismo de mais baixo nível invade todos os recantos obscuros do planeta, mas como alguém disse, não basta. Basta até muito pouco quando é só isso. Se não nos cai um lágrima sempre que a Greta, protótipo do sentimentalismo mais cru - além disso pertence à minoria (será minoria?) das pessoas com síndrome de Asperger, somos abomináveis homens das neves e causamos terror na imensa floresta LGBT e não sei que mais e se não acharmos, nem de perto, nem de longe que o Salazar tenho sido um grande homem, somos o abominável homem das neves na mesma, causando terror na floresta das mulheres recatadas. De maneira que a minha inteligência emocional é quase nula, ao ponto de já ter pensado em fazer uma marcha de orgulho não emocional com uma bandeira cor de rosa, azul e com as cores do arco-íris no meio, para ver se ganho mais apoiantes da causa. A minha ausência de inteligência emocional, diz-me, pela intuição, que já não há desculpa, (depois de tanta informação disponível e de tanta história que há para recordar) para tanta inteligência manhosa emocional, de maneira que me remeto ao pensamento do “chato” do tradicionalista René Guenón que pensava que a psicologia tentava adaptar as pessoas a um mundo torto e guardo uma restiazinha, que é o suficiente de alguma inteligência que possa ter daquela emocional para situações em que as pessoas necessitem efetivamente da minha ajuda e à minha frente, não assinando petições nem votando sempre que me mandam. Porque, bem vistas as coisas, quanto mais parte fizermos das massas mais a humanidade se torna numa massa acéfala e alimentamos o bicho para onde quer que este vá. Normalmente vai para o abismo. A minha anarquia monárquica intrínseca ama demasiado a Vida, percebe demasiado que há um Mistério e respeita em demasia a Acção verdadeira para que vá em cantigas brejeiras. Dou por mim a respirar quando ouço música clássica como se estivesse finalmente fora do aquário pantanoso, e o peixe que envergo (só para sorrir e não causar mossa a ninguém) se transformasse em asas. Daquelas clássicas, com penas e tudo. Penas em todos os sentidos, evidentemente, porque tenho uma grande inteligência simbólica. Graças a Deus!
domingo, 29 de dezembro de 2024
Bom Ano, meus amigos
Meus amigos:
Dizem os astrólogos que o próximo ano, em termos mundiais, não vai ser bom. Também o Guru indiano, Sadhguru informa que nos próximos seis anos, a actividade solar (cujos ciclos são de aproximadamente 11 anos) com os seus ventos, tempestades e erupções vai estar em alta e, atendendo ao facto dessa atividade ter efeitos em tudo o que não se vê como, por exemplo, o campo magnético da terra, a radiação ultra-violeta ou a emissão de raios-X e podendo danificar redes de energia e satélites, é natural que afecte igualmente toda aquela parte subtil do ser humano que embora não seja vista, existe e pode ter repercussões na saúde física e mental das pessoas. Bem vistas as coisas, nem é necessário que hajam avisos de astrólogos ou de gurus indianos, está à vista desarmada, o rumo que o planeta se propôs tomar e, desta forma, o nosso desejo para vós, meus amigos, é que protejam aquilo que ainda é humano. Como o bicho da seda, façam um casulo e enfiem-se lá dentro pois outra forma não há de sobreviver às tempestades solares e humanas. Lembro-me de me terem contado que, por altura do 25 de Abril, houve neste país uma grande confusão com ataques terroristas e tudo e que ao ver aquilo que se passava, Agostinho da Silva telefonou a Dalila Pereira da Costa e disse-lhe para não sair de casa enquanto a confusão não passasse. Pois agora passa-se o mesmo, só que é uma confusão que já começou há alguns anos com lideres mundiais tresloucados, magnatas e oligarcas, não menos tresloucados a comadarem o destino de mundo. Ora estando a nossa parte subtil exposta às tempestades solares e a nossa parte menos subtil exposta a essa gente, torna-se urgente a formação de uma crosta que nos proteja de todos os ataques. Imaginemo-nos como um bunker em andamento, respeitando as regras mínimas sociais, trabalhando nos trabalhos idiotas que nos dão, mas que, ao jeito do filme “Farnrenheit 451” ou do livro de Orwell “1984”, possamos formar, individualmente, uma resistência digna de ser contada mais tarde. De vez em quando há sinais de alguma resistência como aquela entrevista que li no outro dia feita ao realizador Denis Villeneuve (sim, o do filme “Dune”) onde explica ao jornalista por “a” mais ”b” o porquê de ter proibido os telemóveis e de obrigar toda a equipa a ficar de pé no set de filmagens, afirmando que a “presença” humana é fundamental, quer psíquica, quer corporal, para o desenrolar da arte, neste caso a arte cinematográfica. Não sabemos onde é que ele aprendeu isto, mas está cheio de razão. Podem vir a ocorrer pequenos sinais de pessoas que estão a contrariar a tendência crescente para a estupidificação e falta de criatividade propostas pela empresas de tecnologia. Tal como o aprendiz de feiticeiro, quando, mais tarde, estivermos reféns de algo que já não controlamos, haverá grupos e indivíduos não associados a qualquer grupo, que serão os resistentes e que guardarão a réstia do que é ser-se humano, impedindo o suicídio absoluto e colectivo a que assistimos. Assim, meus amigos, se quiserem fazer parte desses que vão guardar alguma forma de humanidade, estão convidados a treinar dentro do vosso casulo, a vossa própria liberdade porque é dentro de vós, e não fora de vós (cada vez mais) que ela se encontra. Para isso, escolham livros e prefiram-nos às redes sociais ou às informações algoritomizadas e militarizadas, desenvolvam trabalhos manuais, fujam, sempre que possível, para a Natureza que resta, impermeabilizem-se para que a chuva fertilizante do “Reino da Estupidez” (lembrando o admirável título de uma obra satírica de Jorge de Sena) não vos atinja e pensem pelas vossas próprias cabeças, unindo, se possível, a razão e o coração, a par com a criatividade pura, a mesma que tínhamos em criança. São esses os grãos de mostarda, o berço de palha de Moisés, ou a arca de Fernando Pessoa, todos residentes na mão da Santa Providência, a maior e mais virtuosa presença de Deus. Só desta forma vos podemos desejar um bom Ano Novo, pois só dessa forma ficamos bem com a nossa consciência sem embarcar em fantasias histriónicas e fogos tão artificiais como a inteligência moderna. Desejar um Bom Ano, não é uma fezada, nem um desejo tolo de adolescente de que a sua equipa ganhe o campeonato, é antes uma refeição completa, como um bacalhau com todos: inclui o propósito do que andamos cá a fazer, a noção do que é o ser humano, a consciência do desenvolvimento das suas capacidades (e não das máquinas) e o respeito pela Natureza. Sem isto, o Bom Ano são palavras atiradas para o ar. A única forma de o desejar é acrescentar a palavra resistência e o que esta implica. Sem resistência nunca haverá nem descendência dessa resistência nem ascensão.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2024
Hoje
"Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo. [...] /
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente."
«Passagem das Horas». Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. - 26b.
E assim acontecendo, em fragmentos somos compreendidos pelos fragmentos que outros são. Se deixas acontecer a voz da verdade, a falsa aparência trémula, luz de vela ténue e insegura, ilumina, indiferente toda a sorte da unidade que és, como um comboio lento atravessando a paisagem, fotografias sucedendo-se, diálogos suspensos a meio. "Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis" é o momento que não ousam nem ver, quanto mais acontecer! Se existisses hoje, neste lugar, Fernando, serias crucificado de todas as maneiras: ladrão e filho directo de Deus, ao alto e na diagonal e não haveria religião que te sustentasse! Eis o caminho!
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
Tocha
sábado, 30 de novembro de 2024
Olá, Fernando.
quarta-feira, 27 de novembro de 2024
Pior a emenda
Continua a ser pior a emenda do que o soneto. Talvez tenha sido por isso que sonhei com uma cabra autista que só estabelecia contacto comigo. Identifiquei-me com a cabra e com o seu autismo. Tenho almoçado com autistas ultimamente. Aprende-se com eles o momento do momento. Ainda ouço comentadores televisivos a sugerirem ao público que tenha plena dos políticos pois estar no lugar deles não é fácil. Dá para rir sem controlo. Estar em qualquer lugar hoje não e fácil, no deles, no nosso ou no dos vizinhos. A época é difícil, de compaixão e de auto compaixão. Sobra, por isso, a cabra autista, a única que sobrevive ao caos sem tirar aqueles que se enfiam nos bunkers que já estão ser construídos. Ligeiramente saltitante, a cabra lá vai andando, como a dona do sonho. E a dona é tão autista, mas tão autista que só partilha um sonho: o da cabra autista, isto para sobreviver. Qualquer tentativa de emenda que faça é pior do que o soneto, porque logo se levantam espadas, ou de um lado ou de outros e o que a cabra quer é paz, ainda que o soneto não seja grande coisa. Em tempo de guerra, que se danem os sonetos, apenas as flores são apetecíveis, quer para a cabra gulosa, quer para a dona do sonho, talentosa.
quinta-feira, 14 de novembro de 2024
O que me adormece e o que me acorda
quarta-feira, 6 de novembro de 2024
domingo, 13 de outubro de 2024
Camionista
domingo, 29 de setembro de 2024
Coleccionadores, galeristas e psicopatas

















